26/07/2010 09:18:32
Presidente da Fenacam Concede Entrevista a Revista Entre Vias.
Formação do preço ideal ainda é um entrave para transportadores e autônomos, pois o mercado conta com concorrência suicida, dificuldades operacionais e falta de regulamentação do setor.
As tabelas de fretes, geralmente são desenvolvidas a partir de condições de transporte e das diversas atividades inerentes. Atualmente, os itens que mais impactam no valor são o combustível e o pedágio, que chegam a representar cerca de 70% dos custos. Quando não há essa taxa, o valor é despendido pelo tempo e manutenção do veículo, ocasionado por estradas mal conservadas. O restante de divide entre mão de obra, com seus custos diretos e indiretos.
Por detrás dessas diretrizes para a composição do frete, há diversas outras questões que precisam ser contempladas: reajustes nos salários, por meio de dissídios coletivos; o aumento nos custos de pedágio; as restrições de circulação de caminhões no centros urbanos; as apólices de seguro; e a realização de serviços adicionais, como entregas especiais, paletizações, agendamentos, devoluções etc.
Contudo, o setor de transporte rodoviário de cargas vem suportando, há muitos anos, notória discrepância nos preços praticados, chagando em muitos casos a uma situação-limite. “O frete se encontra defasado historicamente. A falta de regulamentação e regulação do mercado acaba prostituindo o setor, trazendo para a oferta pessoas sem credenciamento técnico para integrá-la ou mesmo sem o comprometimento financeiro.
Esses terceiros que não pertencem á categoria, mas fazem do transporte uma atividade secundária, acabam por reduzir os valores dos fretes pela falta de comprometimento”, critica o presidente da Federação Interestadual do Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Fenacam), Diumar Deléo Cunha Bueno.
A análise do representante da categoria está alinhada ao cenário. Pesquisa do Departamento de Custos Operacionais e Estudos Técnicos e Econômicos (Decope) da NTC&Logística revela que quase dois quintos (37%) das empresas de capitalização para atender a demanda neste e nos próximos anos. Complementando, 50% se dizem preparados parcialmente e 13% se consideram plenamente capitalizados.
Nem TÃO MAROLA ASSIM
A crise mundial no final de 2008 que adentrou a ano posterior chegou com força no transporte rodoviário de cargas, que se defrontou com enormes dificuldades operacionais para cumprir seu papel. Por canta das incertezas criadas, muitas empresas adiaram os investimentos previstos, algumas se desmobilizaram e boa parte delas concedeu descontos nos fretes de seus clientes.
“As conseqüências são dilapidação da força de trabalho, a baixa qualificação de mão de obra e na qualificação do serviço, a evasão fiscal e sobrecarga de trabalho, falta de manutenção dos veículos e aumento no numero de acidentes”, pontua Diumar.
Ele ainda que para as pessoas que não tem no transporte sua atividade principal, os custos são diluídos no seu foco comercial, o que o que possibilita com que elas realizem fretes com valores abaixo do mercado e ate com custo direto da viagem. Igualmente para os caminhoneiros autônomos, que pela concorrência predatória e por falta de conhecimento adequado de finanças, esses custos não são considerados, fazendo com que levem em conta as despesas diretas, gerando, a longo prazo, prejuízo.
Em decorrência dessas atitudes e da crise não ter se prolongado o que se esperava , já no final de 2009 houve problemas de abastecimento no Natal, pericialmente em decorrência da falta de veículo, de motorista e de espaço nos terminais de transportadoras. Entretanto, boa parte da conseqüência da crise deve ser sentida nesse ano nos próximos, pois a baixa captação das empresas do setor, em decorrência dos fretes baixios praticados, e a necessidade de devem piorar o equilíbrio entre oferta e demanda.